Com o objetivo de discutir ações conjuntas para a diminuição de assaltos a bancos e caixas eletrônicos na Bahia, o governador Jaques Wagner se reuniu, nesta terça-feira (18), na Governadoria, em Salvador, com representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), do Ministério Público do Estado (MPE), da Secretaria de Segurança Pública, Exército, entre outras instituições.

Foto: Alberto Coutinho/GovBa
Foto: Alberto Coutinho/GovBa

A reunião foi articulada pelo MPE, que nos últimos meses vem tratando do assunto com as instituições envolvidas, atendendo aos encaminhamentos do Comitê Executivo do Programa Pacto Pela Vida.
De acordo com o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, mais da metade dos crimes contra as instituições financeiras no estado são em terminais de auto-atendimento, muitos deles com o uso de explosivos. “Nós diminuímos em 40% a modalidade conhecida como Novo Cangaço, aquelas quadrilhas que vão para as cidades do interior roubar a cidade inteira. O que está havendo é uma migração destes criminosos, e até de traficantes, para explosão de caixas eletrônicos. Nós queremos, além de acompanhar esta migração, dotar também os bancos com equipamentos de segurança necessários para evitar a prática destes crimes”.

Segundo o diretor técnico da Febraban, Wilson Gutierrez, o esforço conjunto vai contribuir para diminuição de casos. “A explosão dos caixas vem trazendo muita preocupação para todo o sistema financeiro e teremos ações com todo este grupo. Vamos participar cumprindo nossa parte, aumentando a segurança para enfrentar esta situação, um problema que todos nós precisamos ficar atentos”.

Ataques à agências Somente neste ano de 2013, segundo o Sindicato dos Bancários da Bahia, são quase 90 ataques a bancos no estado. As explosões são maioria, com 44 casos, seguidas pelos assaltos (20). Depois aparecem os arrombamentos, com 14 registros e, por último, as tentativas frustradas (11).

Em Macaúbas, os assaltos não costumam ser frequentes. Mas um, dos tempos da delegada Dalva, chamou a atenção dos macaubenses, como foi noticiado no jornal Folha de S. Paulo em 11 de julho de 2003, como se segue:

“Quadrilha invade cidade e faz prefeito refém para assaltar banco na BA

Uma quadrilha formada por cerca de dez homens encapuzados e fortemente armados rendeu o prefeito de Macaúbas (700 km de Salvador) para assaltar a agência do Banco do Brasil ontem à tarde. O banco está localizado no mesmo prédio em que funciona a prefeitura.

O bando –armado com metralhadores, rifles, revólveres e pistolas– chegou ao local por volta do meio-dia em uma camionete S-10 verde.

De acordo com a Polícia Civil da Bahia, o grupo invadiu o gabinete do prefeito Sebastião Nunes (PFL), no primeiro andar do prédio. Além de Nunes, os assaltantes fizeram outras três pessoas que estavam no local reféns.

Levadas à força para o andar térreo, onde fica a agência do Banco do Brasil, as vítimas foram usadas como escudo enquanto a quadrilha anunciava o assalto. O grupo fez vários disparos contra os vidros da agência para evitar o uso da porta giratória.

Aproximadamente 50 pessoas, incluindo clientes e funcionários, estavam dentro do banco no momento do assalto. Elas correram para os fundos da agência durante a ação, que durou menos de meia hora.

Depois de procurar o gerente, alguns homens começaram a retirar o dinheiro dos caixas e do cofre. As notas foram colocadas em sacolas de pano.

Segundo as informações divulgadas, havia apenas um vigia na agência, que foi facilmente rendido apenas com tiros para o alto. Apesar do alarme ter sido acionado e ter disparado mais de uma vez, a polícia não chegou ao local até o final do assalto.

O som chegou a chamar a atenção de pessoas que passavam pela rua, de acordo com testemunhas, mas os poucos que se aproximaram da entrada do banco foram intimidados por rajadas de metralhadora que vinham de dentro da agência.

A quadrilha escapou levando o prefeito e os outros três reféns. Na fuga, os assaltantes usaram também o jipe Mitsubish Hilux de Nunes, além da S-10. O diretor da Polícia do Interior, Mauro Morais, disse que há informações de que a camionete tenha sido roubada dias antes no município de Itaberaba (BA).

As vítimas foram liberadas poucos minutos depois, a três quilômetros do banco. Embora nenhuma das vítimas tenha ficado ferida, Morais acredita que um dos assaltantes tenha se ferido durante a operação.

“Tudo indica que um dos encapuzados tenha se lesionado ao manusear o armamento. Nossa suspeita é reforçada pelo fato deles terem invadido uma farmácia, ao deixarem a agência, levanto todas as ataduras que haviam no estoque”, disse o diretor da polícia.

Morais informou ainda que o departamento está montando um esquema especial de policiamento para evitar novos assaltos.

Mesmo sem ter sofrido ameaças dos criminosos, Nunes teria permanecido hoje isolado em sua fazenda. Nenhum funcionário atendeu às ligações feitas hoje à tarde pela reportagem da Agência Folha à prefeitura.

Segundo a Polícia Civil, esse foi o segundo assalto ao Banco do Brasil de Macaúbas neste ano. Em 10 de abril, 14 assaltantes entraram na agência e roubaram uma quantia não revelada.

A delegada Dalva Cardoso do Nascimento iniciou as buscas logo após o episódio, reforçando o contingente da cidade com policiais civis e militares dos municípios vizinhos.

Até o final da tarde, não havia pistas da quadrilha. As suspeitas são de que a camionete tenha seguido em direção ao município de Oliveira dos Brejinhos, onde o bando poderia fugir pela rodovia que liga Salvador à Brasília.

A polícia estima que cerca de R$ 500 mil tenham sido levados da agência. A assessoria de imprensa do Banco do Brasil não divulgou a quantia roubada. O gerente da agência não foi localizado ontem pela reportagem. (Reportagem de Rachel Añon e Adriana Chaves da Agência Folha)”. Link original da matéria no jornal paulistano aqui

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