dscn9917O ex-deputado federal macaubense, Robério Nunes, foi absolvido no processo que enfrentava no caso conhecido como Máfia das Sanguessugas, onde investigações apontavam um esquema de desvio de recursos na liberação de emendas parlamentares na área da saúde, bem como em aquisição de ambulâncias. A informação foi passada pelo próprio ex-parlamentar em entrevista ao site Macaúbas On Off nesta quinta-feira (3).

Segundo o agora pepista, o processo trouxe desgaste para sua vida pessoal e política ao não conseguir se eleger para cargos eletivos depois que o caso ganhou notoriedade na mídia.

A Operação Sanguessuga foi deflagrada pela Polícia Federal em 4 de maio de 2006. Na ocasião, 48 pessoas foram presas e 53 mandados de busca e apreensão cumpridos. De acordo com estimativas feitas à época, o grupo movimentou R$ 110 milhões.

De acordo com auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Departamento Nacional de Auditoria do Ministério da Saúde (Denasus), a máfia das ambulâncias causou um prejuízo de pelo menos R$ 15,5 milhões aos cofres públicos. Para os auditores, houve superfaturamento em 70% dos convênios analisados.

Segundo as investigações, o grupo liderado pelos empresários Luiz Antônio Vedoin e Darci Vedoin, donos da Planam, pagava propina a parlamentares em troca de emendas destinadas à compra de ambulâncias e materiais hospitalares. Ainda de acordo com a denúncia, um grupo de parlamentares viabilizava a aprovação das emendas e intercedia nas prefeituras para direcionar as licitações para as empresas da família Vedoin vencerem as disputas. Os pagamentos eram feitos muitas vezes por meio de intermediários para dificultar a identificação dos envolvidos.

Diante da operação da PF, o Congresso Nacional instalou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e investigou 67 parlamentares, mas ninguém teve mandato cassado.

No colegiado, o empresário Luiz Antônio Vedoin disse que conheceu o ex-deputado Robério Nunes (na época no PFL) em 2004 e que acertou com ele o pagamento de uma comissão de 10% do valor de cada emenda de sua autoria que fosse executada por meio de empresas do esquema das sanguessugas. Um depósito de R$ 10 mil em benefício do deputado, segundo o empresário, teria sido feito na conta corrente de Marco Túlio Lopes, a pedido de Robério Nunes. Lopes, de acordo com Vedoin, trabalhava na Valadares Diesel, concessionária da Mercedes-Benz em Governador Valadares (MG). Além disso, Vedoin alegou ter entregue pessoalmente ao então deputado R$ 15 mil em espécie, em seu gabinete da Câmara.

Ainda segundo o depoimento de Vedoin, o próprio Robério Nunes se encarregou de fazer contatos com os prefeitos de municípios beneficiados por emendas para “acertar os detalhes do direcionamento das licitações”. No relatório parcial da CPMI, de acordo com o site da Câmara dos Deputados, havia também há transcrição da gravação de uma conversa telefônica na qual Vedoin e uma pessoa não identificada comentavam a suposta participação do parlamentar no esquema de fraudes.

Em sua defesa, Robério Nunes disse ter sido vítima de acusações falsas do empresário Luiz Antônio Vedoin, devido ao incentivo da delação premiada que o mesmo possuía. Nunes afirmou à CPMI que nunca recebeu vantagem indevida em troca de apresentação de emendas e lamentou a forma como a CPMI das Sanguessugas conduziu seus trabalhos. “Todos foram jogados na vala comum, os que tinham contra si provas cabais e aqueles contra os quais havia somente indícios ou mera suspeita”, criticou Robério Nunes.

Em relação ao depósito na conta de Marco Túlio Lopes, o ex-deputado disse ter apresentado documento à CPMI “que demonstra que a importância depositada diz respeito a exclusivo interesse do favorecido [Lopes]”.

Robério Nunes contestou também a veracidade da acusação quanto à entrega de R$ 15 mil em seu gabinete. “A suposição se deu exclusivamente com base nas declarações do senhor Luiz Antônio Vedoin”, ressaltou.

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